A importância do Programa de Educação Tutorial (PET)

A formação acadêmica e as exigências profissionais passaram por profundas transformações, de modo que aos profissionais do Novo Milênio não bastam dominar o aprendizado técnico oferecido pelos meios convencionais de ensino, mas também possuírem habilidades como criatividade, versatilidade, flexibilidade, empatia, comunicação, bom relacionamento interpessoal e liderança.

         Nesse sentido, surge o Programa de Educação Tutorial (PET), o qual é uma iniciativa Federal criada em 1979 e que, atualmente, encontra-se sob gestão da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação (SESu/MEC). O programa consiste em grupos de alunos e professor tutor, vinculados a um ou mais cursos de graduação, que buscam desenvolver projetos baseados no tripé ensino, pesquisa e extensão. Assim, o objetivo principal do PET é promover a formação global, ampla e de qualidade dos estudantes da graduação, estimulando a cidadania, a pró-atividade, a consciência social, o trabalho em equipe e o aperfeiçoamento do curso superior. 

Segundo o MEC, existem 842 grupos PET no Brasil, fato que demonstra o impacto do programa. Este busca complementar a grade curricular e incentivar a aprendizagem ativa, de modo que os alunos envolvidos tornem-se protagonistas no processo de construção de novos saberes e impactem positivamente todo o curso superior e a comunidade externa.

Os grupos PET possuem seu próprio regimento, preconizado no Manual de Orientações Básicas (MOB) e contam com uma ampla estrutura e organização. Administrativamente, o programa se organiza por meio de um Conselho Superior (nível federal), Comitês Locais de Acompanhamento (nível local), Comissão de Avaliação, além da Comissão Executiva Nacional dos Grupos PET (CENAPET), a qual é a entidade representativa dos estudantes e professores-tutores perante o MEC. Além disso, o programa possui como apoio o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), responsável por distribuir as bolsas mensalmente aos 12 alunos bolsistas e ao tutor. 

E como funciona o tripé ensino, pesquisa e extensão ?

As atividades de ensino envolvem o aprofundamento em determinados conhecimentos, por meio de grupos de estudos, palestras, congressos, aulas ministradas pelos próprios alunos dentro e fora da universidade, entre outras ferramentas que visem à propagação do conhecimento produzido dentro do ambiente acadêmico. Isso possibilita novas experiências pedagógicas, permitindo uma formação diversificada e um contato com a sociedade.

A pesquisa estabelece uma conexão com o ensino e objetiva a criação e desenvolvimento de novos conceitos, processos e tecnologias. O fato dos grupos PET não se restringirem a uma única área do conhecimento possibilita a criação de pesquisas em várias vertentes, o que promove uma ligação entre as áreas e diminui a fragmentação do conhecimento.

As atividades de extensão buscam promover o contato com a comunidade, construindo um movimento dialético que possibilite a construção de novos conhecimentos e a apropriação do conteúdo produzido dentro do ambiente acadêmico pelo público geral também. Assim, por meio dos projetos de extensão, a sociedade pode ser beneficiada e o ensino acadêmico torna-se muito mais amplo.

         As atividades extracurriculares baseadas neste tripé visam enriquecer o processo de aprendizagem e são cada vez mais valorizadas. Prova disto, no contexto do ensino médico, é a exigência da realização de carga horária de 240 horas de atividades complementares para a entrada no internato (período entre o nono e décimo segundo semestre) na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e a valorização deste aspecto na avaliação do currículo médico em muitas provas de residência. Ademais, segundo a Resolução nº 7 MEC/CNE/CES, de 18 de dezembro de 2018, as atividades de extensão devem compor, no mínimo, 10% da carga horária curricular estudantil nos cursos de graduação, fato que demonstra a importância dos projetos de extensão e também do trabalho dos grupos PET, visto que estes são grandes incentivadores das atividades extensionistas.

O que dizem os petianos egressos ?                        

         O impacto positivo dos grupos PET pode ser percebido de diversas formas, sendo uma das principais o relato dos muitos alunos que tiveram contato com o programa. Vem conferir o que alguns relatam sobre a experiência de ser petiano!

“O PET me trouxe muitas coisas boas durante a faculdade como conhecer muitas pessoas, participar de projeto científico, e conseguir mais pontos na residência, aprender a me organizar com horários e ser mais disciplinada, saber conviver e atuar em grupo, aprendi a dividir tarefas e, acima de tudo, pude desenvolver projetos extracurriculares que ajudaram muitas pessoas fora da universidade.” – Rebeca M. Zurita, formada em medicina no ano de 2018 pela UFMT e atual residente em dermatologia no Hospital Universitário Júlio Muller.

“O PET fez parte da minha formação na faculdade e foi fundamental no meu crescimento como aluno e futuro profissional porque consegui aperfeiçoar vários aspectos, como trabalho em equipe, liderança, contato com o público nas ações, escrita de artigos e projetos de pesquisa. Além da vivência e crescimento profissional, o PET também foi um lugar de apoio, onde me sentia em casa e fiz muitas amizades.” – Hiro Naves Ynoue, formado em medicina no ano de 2020 pela UFMT e atual residente de Acupuntura na Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (FAMERP).

“Para mim, Herbert, o PET proporcionou inúmeras oportunidades de desenvolvimento pessoal como aprender a falar melhor em público ao lecionar minicursos, trabalhar em equipe ao organizar eventos, aprimorar a escrita acadêmica ao escrever resumos expandidos,  ser cidadão ao criar projetos eletrônicos para alfabetização de crianças especiais e a formar ótimas amizades e histórias que espero levar para o resto da vida profissional e pessoal” – Herbert de Souza Andrade, acadêmico de Engenharia Elétrica da UFMT e petiano egresso do PET-Engenharia Elétrica.

         Assim, a defesa da continuidade dos grupos PET é uma ferramenta importante para o crescente aperfeiçoamento e enriquecimento dos cursos de graduação de todo o Brasil!

Autora: Maria Julia Medeiros Metello

Turma: 63

Referências: 

Maria Tosta R. et al. Programa de educação tutorial (PET): uma alternativa para a melhoria da graduação. Psicol Am Lat. 2006;8.nw

Ministério da Educação. Manual de Orientações Básicas. 2002.