Minha residência médica, minha vida!

M

Alexandre Figueiredo Zobiole, 29 anos, graduado em Medicina pela 50ª turma da Universidade Federal de Mato Grosso, ortopedista pelo Departamento de Ortopedia e Traumatologia (DOT) da Escola Paulista de Medicina (EPM) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), membro titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia e, atualmente, Fellowship em Traumatologia do Esporte no Centro especializado em Traumatologia do Esporte (CETE), da EPM-Unifesp.  

  1. O que te motivou a escolher a residência médica em Ortopedia e Traumatologia?  

Vários fatores nos motivam a escolher a nossa residência médica ou até mesmo a escolha pela carreira médica. Eu, durante a minha infância, gostava muito de praticar esportes e, coincidentemente, frequentei muito os consultórios e pronto atendimentos ortopédicos. Mesmo antes de entrar na faculdade já gostava muito da especialidade e me identificava muito com os profissionais que haviam me atendido. Durante a faculdade conhecemos um mundo gigantesco de opções que podemos seguir na carreira, desde as áreas clínicas, cirúrgicas ou até mesmo as que apresentam menor contato com o paciente. Eu frequentei muito os Prontos Socorros como acadêmico e gostava muito da área cirúrgica e a primeira decisão que tomei foi seguir essa área. Na hora da escolha da especialidade em si, pensei no que realmente gostava de fazer, qual o perfil de paciente que gostaria de atender, quais os locais onde pretendia fazer minha residência e os desafios que estava disposto a enfrentar. Dessa forma, não tive muitas dúvidas em escolher a ortopedia.  

  1. Suas expectativas em relação a essa escolha foram contempladas? 

Sou muito feliz com a escolha que fiz e não me vejo atuando em outra especialidade atualmente. Como todos sabem, a residência de ortopedia demanda muita dedicação e eu tinha pleno conhecimento dos desafios que iria encontrar, procurei encará-los da melhor forma possível. Aqui na EPM, somos cobrados para realizarmos um bom trabalho com as atividades práticas, e, ainda mais, aprimorarmos a carga teórica. Além disso, temos a oportunidade de conviver e aprender, continuamente, com grandes profissionais renomados nacionalmente e mundialmente da ortopedia. Então, acredito que foi uma excelente escolha e as minhas expectativas foram superadas durante a residência médica.  

  1. Como foi a dinâmica dos rodízios e da rotina na residência médica? 

A residência de ortopedia tem duração de 3 anos e na EPM é dividida em quatro rodízios por ano. No primeiro ano, rodamos nos blocos do: Trauma e Fixador Externo; Coluna e quadril; Enfermaria e Pronto Socorro. No segundo ano, rodamos nos blocos da Mão e microcirurgia;  Joelho e Pé; Pronto Socorro e Enfermaria e ortopedia pediátrica. No terceiro ano, rodamos nos blocos do CETE; Ombro e cotovelo; Tumor Ósseo; e Traumatologia. O nosso serviço controla muitos hospitais filiados, então rodamos em vários lugares da grande São Paulo como no Hospital Estadual de Diadema, Hospital Municipal de Barueri, Hospital das Clínicas de São Bernardo do Campo, entre outros, apesar do Hospital São Paulo ser o centralizador das atividades acadêmicas e administrativas. Durante todos os blocos somos avaliados em relação às atividades práticas e em relação às atividades teóricas com apresentação de aulas, seminários, casos clínicos e realizamos provas periodicamente. Além disso, realizamos plantões noturnos e de finais de semana no Hospital São Paulo como complementação da carga horária. De uma forma geral, todos os blocos são muito bem organizados, bem completos em relação às atividades prática e teórica. 

  1. Como é a sua rotina hoje? 

Atualmente sou Fellowship (equivalente ao R4) em Traumatologia do Esporte no CETE – EPM, então ainda estou me especializando. No CETE, temos um foco no tratamento de atletas e atuamos em diversas áreas da ortopedia como ombro, joelho, coluna, quadril e pé. Nossa rotina consiste em atendimentos ambulatoriais no CETE, realização de procedimentos cirúrgicos nos Hospitais filiados, reuniões científicas semanais e acompanhamento de procedimentos cirúrgicos dos chefes do serviço. Além disso, eu realizo plantões como ortopedistas em alguns hospitais quando há disponibilidade de horário.  

  1. Existe um lado negativo ou algo que desagrade na especialidade que você escolheu?  

Sem dúvidas, a formação do ortopedista demanda muita dedicação e consome a maior parte do nosso tempo. Além disso, é uma formação pautada na hierarquia e no rigor com os residentes. Como muitos não possuem conhecimento das dificuldades que vão encontrar, estes acabam desistindo. No entanto, de uma forma geral, não tive muitos problemas durante a formação e estou muito contente com a minha escolha.   

  1. Como foi seu processo de preparação para as provas de residência?  

Para as provas de residência, após a escolha da especialização que faria, eu procurei me informar sobre os melhores serviços  de residência e após isso foquei nas provas desses lugares. Realizei o curso preparatório do Medcurso de dois anos durante o internato e também estudava muito com a minha esposa, Raissa Carolina Pinheiro da minha sala de faculdade e que faz Dermatologia aqui em São Paulo também, realizando muitas questões, flashcards, e tirando sempre dúvidas. Mas, de uma forma geral, mantinha uma rotina de estudos semanal e durante os finais de semana simulava a realização de uma prova dos serviços que gostaria de fazer, após, eu corrigia e anotava as principais informações para revisar próximo a prova.  

  1. O que foi considerado na escolha do local para a residência médica?  

Primeiro eu e a minha esposa decidimos fazer residência na cidade de São Paulo, pela grande quantidade de serviços de excelente qualidade, com  grande disponibilidade de recursos e por ser o maior centro médico do país. Como um grande amigo meu já era residente de ortopedia na EPM quando eu estava fazendo a prova, eu conhecia bastante sobre o serviço, o funcionamento do mesmo, a qualidade acadêmica e as oportunidades que poderiam me proporcionar, então a Unifesp tornou-se a minha primeira opção de escolha. Mas eu prestei prova em outros grandes serviços como Santa Casa, IAMSPE e USP-SP que com certeza também são ótimos. Talvez, uma grande limitação temos na faculdade seja conhecer o funcionamento desses locais, e isso é primordial para a escolha. 

  1. Qual foi a contribuição das atividades extracurriculares na prova de residência?  

Durante a graduação, principalmente, antes de entrar no internato eu frequentei muito o PS de  Cuiabá e Várzea Grande, acompanhando alguns professores da UFMT. Acredito que aprendi muito sobre como ser médico e experiências que me ajudaram nas provas de residência. O acadêmico tem que ter foco em quais provas ele quer prestar, pois, mesmo com grande conhecimento teórico, isto pode não ser suficiente para determinados tipos de prova. 

  1. O que você deixaria como recomendação aos estudantes de Medicina em relação à escolha da residência médica? 

Primeiro, talvez essa seja a principal escolha da sua vida, então faça algo que você goste de verdade, faça em um bom serviço, que proporcione uma boa formação, conheça a rotina do especialista da sua área e em quais áreas pode atuar, conheça as oportunidades e conheça o perfil do paciente que você vai atender. Procure conhecer também os serviços que vai prestar, quais oportunidades podem surgir e quem são as referências nos serviços. Há muitos profissionais da nossa FM aqui em São Paulo que são bem acessíveis e estão sempre à disposição para ajudar.